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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Lembrança


Ponho um ramo de flores
 na lembrança perfeita dos teus braços;
 cheiro depois as flores e converso contigo 
sobre a nuvem que pesa no teu rosto; 
dizes sinceramente que é um 
desgosto.
 Depois, não sei porquê nem porque não, 
essa recordação desfaz-se em fumo; 
muito ao de leve foge a tua mão, 
e a melodia já mudou de rumo. 
 Coisa esquisita é esta da lembrança! 
Na maior noite, 
na maior solidão, 
vem a tua presença verdadeira, 
e eu vejo no teu rosto o teu desgosto, 
e um ramo de flores,
 que não existe, 
cheira!

 Miguel Torga

Bom Final de semana

LOW

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